Dez 23, 2024 | Dicas de sono, Dulce Neutel
Se a roncopatia, que traduz uma obstrução à normal passagem do ar durante a respiração, pode ser bastante incomodativa, mais frequentemente para o parceiro. mas também pode acordar o próprio doente, os eventuais eventos respiratórios que podem acompanhar o ressonar podem ter consequências importantes para a saúde do sono, mas também para a saúde geral do indivíduo.
Durante o sono existe um relaxamento normal dos músculos da fonação e da deglutição que podem levar até 40% do colapso das vias respiratórias. No entanto, este estreitamento das vias aéreas pode ser mais extenso ou até mesmo total. Nesta última situação estamos perante uma apneia obstrutiva do sono. Na situação em que existe apenas uma limitação parcial à normal passagem do ar durante a respiração durante o sono falamos em hipopneia. Porque os indivíduos estão a dormir e não têm consciência de que estão a respirar mal, ocorre uma diminuição da saturação de oxigénio no sangue e despertares ou microdespertares (despertares tão breves que não se tem consciência de que ocorrem, mas que contribuem para a fragmentação do sono). Estes despertares mesmo que muito breves, estimulam o sistema nervoso simpático que leva à libertação de adrenalina que provoca aumento da frequência cardíaca, subida da tensão arterial, sudorese ou até mesmo cefaleias. Pela manhã o indivíduo vai acordar cansado porque o sono foi bastante disruptivo, pode sentir-se sonolento ou até mesmo que as suas funções cognitivas não estão no seu melhor – não consegue concentrar-se, não consegue focar-se, não consegue pensar!
Quando se faz o diagnóstico de síndroma de apneia obstrutiva do sono realiza-se também a avaliação da gravidade da doença – ligeira, moderada ou grave. O risco cardiovascular correlaciona-se diretamente com a gravidade desta doença, sendo os doentes com doença grave o que têm um maior risco cardiovascular.
Uma vez que este problema respiratório ocorre apenas durante o sono e a doença progride habitualmente de forma lenta, o doente desconhece que tem o problema e pode passar vários anos até que o doente procure ajuda médica. É frequente recusar a ideia de que ressona (até ouvir o seu próprio ressonar gravado por exemplo num telemóvel) mas também a ideia de que tem um problema de saúde. Muitas vezes só após o problema diagnosticado e tratado é que os doentes se apercebem o quanto dormiam mal e o quanto essa situação era disfuncional no seu dia a dia.
A síndroma de apneia obstrutiva do sono associa-se muitas vezes ao excesso de peso e aumento da circunferência do pescoço, mas não só! Algumas pessoas são magras, mas possuem vias aéreas naturalmente muito estreitas. Indivíduos que possuem familiares com história de apneia do sono têm duas vezes mais risco de terem o mesmo problema. O consumo em excesso de álcool e substâncias como as benzodiazepinas, ao contribuírem para o relaxamento muscular, podem agravar os eventos respiratórios durante o sono.
O tratamento da síndroma de apneia obstrutiva do sono depende da gravidade da situação, mas tem sempre como principal objetivo manter as vias respiratórias abertas e melhorar a qualidade do sono do doente. A perda de peso está obviamente sempre indicada nos casos em que existe excesso de peso. Nas situações ligeiras e moderadas poderá estar indicado o uso de dispositivos de avanço mandibular que os doentes utilizam durante o sono e que permite avançar a mandíbula e impedir o bloqueio das vias aéreas ou correções cirúrgicas na via aérea. Nas situações graves a única solução verdadeiramente eficaz é um ventilador que fornece uma pressão de ar que impede o colapso das vias respiratórias.
A mensagem fundamental é que no final o doente deve passar a dormir melhor e a acordar com mais energia do que acontecia antes do problema identificado e tratado. Se algum destes pontos não foi cumprido, então algo falhou e a situação clínica deve ser repensada e a estratégia terapêutica corrigida.
Dez 23, 2024 | Dicas de sono, Dulce Neutel
A narcolepsia é uma doença neurológica crónica que afeta o sono e a vigília, causando sonolência diurna excessiva. As pessoas que sofrem de narcolepsia têm dificuldades em controlar quando e como adormecem, o que pode afetar gravemente a sua qualidade de vida.
A narcolepsia é caracterizada por episódios de sonolência extrema e incontrolável, que podem ocorrer em momentos inapropriados, como enquanto se está a trabalhar, a estudar ou até a conversar. Estes episódios de sono súbitos e incontroláveis são conhecidos como “ataques de sono”. Além disso, os doentes com narcolepsia podem ter uma série de outros sintomas:
- Cataplexia: Perda súbita e transitória da força muscular, geralmente desencadeada por emoções fortes, como uma piada ou surpresa.
- Paralisia do sono: Incapacidade de se mexer ou falar temporariamente mais frequentemente ou acordar.
- Alucinações: mais frequentemente visuais que podem ocorrem quando a pessoa adormece ou acorda.
- Outros: As pessoas com narcolepsia podem ter dificuldade em dormir durante a noite, mesmo sentindo-se extremamente cansadas durante o dia.
A narcolepsia é geralmente causada por uma alteração no cérebro, que afeta a regulação do sono. O problema ainda não é totalmente compreendido, mas acredita-se que envolva uma combinação de fatores genéticos e ambientais. Em muitos casos, a narcolepsia está associada à perda de células cerebrais que produzem uma substância chamada hipocretina (também denominada orexina), responsável por regular o ciclo de sono e vigília.
O diagnóstico da narcolepsia pode ser complexo, uma vez que os sintomas podem ser confundidos com outras condições, nomeadamente, problemas psiquiátricos. Por isso, é fundamental que um médico especialista em medicina do sono realize uma avaliação completa, que deve incluir um estudo do sono, como a polissonografia e um teste de latências múltiplas do sono.
Embora não haja cura para a narcolepsia, o tratamento pode ajudar a controlar os sintomas. O tratamento geralmente envolve uma combinação de medicamentos e mudanças no estilo de vida. Os medicamentos podem incluir estimulantes para combater a sonolência excessiva, antidepressivos para controlar a cataplexia e outros medicamentos para regular o sono. Além disso, ter uma rotina regular de sono e evitar situações que possam desencadear ataques de sono pode ser muito útil.
A narcolepsia é uma condição muitas vezes incompreendida, e as pessoas afetadas podem enfrentar estigma e desafios na vida social, profissional e académica. Por isso, é essencial aumentar a conscientização sobre a doença, promovendo o entendimento de que a sonolência extrema e os episódios de sono súbito não são simples preguiça ou falta de esforço.
Com o tratamento e acompanhamento adequados, muitas pessoas com narcolepsia conseguem levar uma vida plena e ativa, apesar dos desafios que a doença pode apresentar.
Dez 5, 2024 | Dicas de sono, Dulce Neutel
A insónia é uma doença do sono caracterizada pela dificuldade em adormecer ou manter o sono durante a noite, afetando significativamente a qualidade da vigília do dia seguinte. O stress, a ansiedade ou a depressão são algumas das condições mais comuns que contribuem para a insónia. Uma das teorias sobre a fisiopatologia da insónia crónica refere que são necessários fatores que predispõem para a doença, habitualmente traços de personalidade específicos, nomeadamente o perfeccionismo. É igualmente frequente um acontecimento precipitante – um evento de vida como a morte de um familiar, a perda de emprego ou um divórcio. E, posteriormente, os fatores perpetuadores como comportamentos e conceitos errados sobre o sono irão manter o problema ao longo do tempo.
A insónia tem um impacto profundo na saúde física e mental. A insónia está frequentemente associada à irritabilidade, à dificuldade de tomar decisões e ao aumento da ansiedade, criando um ciclo vicioso que pode ser difícil de quebrar.
O tratamento da insónia pode variar conforme a causa subjacente, mas frequentemente envolve uma combinação de mudanças no estilo de vida, terapias cognitivas e, em alguns casos, medicação. Estratégias como a prática de relaxamento, a manutenção de uma rotina de sono regular e a criação de um ambiente propício para descansar podem ajudar a melhorar a qualidade do sono. A Terapia Cognitivo-Comportamental para Insónia (TCC-I) tem demonstrado ser eficaz no tratamento, ao focar em modificar os pensamentos e comportamentos que contribuem para o problema.
Embora a insónia seja um desafio para muitos, ela pode ser tratada com sucesso, desde que as causas sejam identificadas e abordadas adequadamente. A consciência sobre a importância de uma boa higiene do sono e a busca por apoio profissional são passos fundamentais para melhorar a qualidade de vida e restaurar um sono saudável.
Out 21, 2024 | Dicas de sono, Dulce Neutel
Nos dias de hoje, a vida quotidiana está cada vez mais agitada e repleta de responsabilidades. Entre trabalho, estudos, família, tarefas domésticas e compromissos sociais, muitos de nós vemo-nos imersos numa rotina frenética que, frequentemente, compromete a nossa saúde física e mental. Um dos aspetos mais afetados por este estilo de vida acelerado é o sono. É essencial entender a importância de parar uns dias para relaxar e melhorar o sono.
O descanso adequado não é apenas uma necessidade fisiológica, mas também um fator chave para manter a saúde mental. Ao tomarmos a decisão de desacelerar e tirar alguns dias para relaxar, damos ao nosso corpo a oportunidade de restaurar suas energias. Esse período de pausa é crucial para recarregar as baterias, reduzir a ansiedade e diminuir o nível de stress acumulado ao longo do tempo.
Além disso, ao parar para relaxar, podemos perceber que o sono, muitas vezes comprometido, mas ainda sem nenhuma doença do sono associada, começa a melhorar. O corpo, ao sentir-se mais tranquilo e menos pressionado, tende a ter um ciclo de sono mais profundo e reparador. O relaxamento, seja por meio de meditação, leitura ou outras atividades prazerosas e a prática de exercício físico como caminhadas ao ar livre, ajuda a reduzir os níveis de cortisol (hormona do stress), criando um ambiente interno mais propício ao descanso.
É importante destacar que estes períodos de descanso ajudam a melhorar a qualidade do sono. E esta melhoria na qualidade do sono impacta diretamente na nossa produtividade, saúde física e emocional. Uma boa noite de sono fortalece o sistema imunológico, melhora a memória, aumenta a concentração e proporciona uma sensação geral de bem-estar.
E é devido a esta relação estreita entre a importância de descansar e ter uma boa noite de sono que nasceu a minha colaboração com a Herdade da Malhadinha Nova – The Sleep Experience. Neste hotel partilham-se rotinas que promovem uma vida mais relaxante com o objetivo de conseguir um sono de melhor qualidade. É ainda possível que durante o tempo de permanência no hotel o cliente realize uma avaliação do seu sono – após o preenchimento de questionários que avaliam a qualidade do sono e o seu ritmo biológico, é elaborado pelo médico competente em Medicina do sono um relatório que permite um aumento do autoconhecimento da pessoa no que respeita as características e o ritmo do seu sono. Mas é também possível o cliente fazer uma massagem desenvolvida pela equipa de Wellness da Herdade da Malhadinha Nova, que recorrendo a um conjunto de técnicas que pretendem atingir um relaxamento físico e mental, ajudar a proporcionar uma boa noite de sono permitindo adormecer mais rapidamente e durante mais tempo.
Investir em momentos de descanso não é um luxo, mas sim uma necessidade fundamental para um estilo de vida equilibrado. Não devemos ver o sono como uma tarefa opcional, mas como uma prioridade que traz benefícios duradouros para o corpo e a mente. Porque dormir é o melhor remédio!
Mai 24, 2024 | Dicas de sono, Dulce Neutel, Media
Entrevista a Dra. Dulce Neutel para o programa Guia da Vida Saudável, de Ana Luísa Silva, na Saúde+ TV
Mai 3, 2024 | Dicas de sono, Dulce Neutel, Media
Entrevista a Dra. Dulce Neutel para o programa Guia de Vida Saudável, de Ana Luísa Silva, na Saúde+ TV.